Síndrome de Kessler preocupa Roscosmos

Síndrome de Kessler
Síndrome de Kessler

O espaço atrai o interesse do poderoso setor militar de várias potências como Estados Unidos, Rússia, Índia e China.

O desenvolvimento de armas e tecnologias militares antissatélite colocadas em órbita geram temores nos cientistas.

Essas armas foram projetadas para desativar ou eliminar satélites para fins militares estratégicos. No entanto, há um efeito colateral para o qual a Roscosmos (agência espacial russa), já alertou: aumentará consideravelmente a quantidade de lixo que circula na órbita baixa da Terra.

Segundo o diretor do Instituto de Astronomia da Academia Russa de Ciências, Boris Shustov, a quantidade de detritos espaciais pode atingir o limiar da síndrome de Kessler.

Mas o que é a síndrome de Kessler?

É uma teoria desenvolvida na década de 1970 pelo consultor da NASA (agência espacial americana) Donald J. Kessler, que supõe que o volume de detritos espaciais na órbita baixa da Terra seria tão alto que objetos como satélites começariam a se chocar com o lixo, produzindo “efeito dominó” – gerando ainda mais lixo.

À medida que o número de satélites em órbita cresce – e os satélites desativados se acumulam – aumenta consideravelmente o risco de colisões previsto na síndrome de Kessler.

Dmitri Rogozin
Dmitri Rogozin

A Estação Espacial Internacional (ISS) e milhares de satélites operam atualmente na órbita baixa da Terra – a uma distância menor de 2 mil km do planeta.

Isso poderia ter consequências significativas, como a impossibilidade de voos espaciais, a interrupção das comunicações globais ou o enfraquecimento da inteligência militar.

“Se as coisas continuarem nesse ritmo, todos começarão a disparar e destruir seus satélites, e logo esses fragmentos poderão destruir a Estação Espacial Internacional. Dessa maneira, as coisas não podem continuar”, disse o diretor da Roscosmos, Dmitri Rogozin, à agência de notícias TASS na última sexta-feira.

O aviso de Rogozin não é novo. Dois meses atrás, a Rússia alertou que após o teste conduzido pela Índia em março – conhecido como Missão Shakti – a probabilidade de um impacto espacial de lixo contra a Estação Espacial Internacional (ISS) aumentou em 5%.

O teste da Índia com armas anti-satélite de alta potência (ASAT) – em que foi destruído um satélite a 300 km da Terra – também foi criticado pela NASA e causou uma discussão global sobre a política espacial.

A Roscosmos disse que quer propor a abertura de discussões envolvendo as potências espaciais para considerar a proibição de testes de armas antissatélite, para não agravar o problema do acúmulo de lixo.

Resíduos feitos pelo homem em órbita são uma ameaça iminente para o bem estar de nossa infra-estrutura atual e para futuras missões espaciais / exploração. Colisão em cascata – ou a Síndrome de Kessler – continua a manter os detritos propagando-se na órbita da Terra mesmo se pararmos de lançar as coisas no espaço por completo. Em suma, o lixo espacial é um problema real para todos nós.

Fonte: BBC

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *